quarta-feira, 11 de março de 2015

Mãe, minha razão de viver!!

Há um ano atrás foi publicado no jornal de minha cidade uma entrevista feita comigo e com minha mãe, Loiva, para o Dia das Mães... foi uma conversa agradável, de lembranças e de lágrimas pois ao relembrar os momentos complicados em que passei e passo desde 2006, é inevitável não se emocionar e agradecer mais uma vez a Deus por ter me dado a chance de permanecer viva. Segue abaixo a reportagem:


"Mãe, quem diria há oito anos atrás que nossa vida seria essa? Uma vida que, de uma hora para outra, virou de ponta cabeça e mudou todos os nossos planos e sonhos". Assim começa a carta escrita por Ana Paula Gewehr Heinze à Folha, para a promoção de Dia das Mães, falando sobre sua mãe Loiva Ilva Gewehr Heinze. As linhas que ela redigiu não dão nem metade da dimensão que é a sofrida, porém linda história dessa dupla. Em 2006 Ana Paula, que então morava em Santa Cruz do Sul com uma tia e cursava faculdade, teve sua primeira internação. De uma hora para outra sua realidade mudou e sua vida ficou, pela primeira vez, em risco.
Após complicações decorrentes de uma cirurgia feita por causa da retenção de líquido acumulada no abdômen, ela ainda em coma foi removida em uma Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) Móvel para um hospital em Porto Alegre. Sua condição era tão delicada que, no caminho, sofreu três paradas cardíacas. Ao contar os detalhes desses dias de muito sofrimento, Loiva deixou escapar as lágrimas. Mas continuou. Depois de dias de angústia e espera, os médicos ainda não foram capazes de oferecer um diagnóstico conclusivo: informaram a ela que suspeitavam que Ana tinha a Doença de Crohn (doença inflamatória séria do trato gastrointestinal).

O ano de 2006 foi caracterizado pelas duas como um ano de muitas provações. Isto porque foi neste ano também que faleceu o pai de Ana e marido de Loiva, Pedro Gewehr Heinze, por conta de um enfisema pulmonar. "Numa das vezes que tive alta ainda consegui ficar um tempo com o pai, antes de ele falecer", disse Ana, saudosa. A notícia foi um baque para a jovem, que dois dias depois voltou a Porto Alegre. "E a mãe sempre junto. Mesmo sofrendo, ela me dava forças", destacou ela, com emoção na voz. A partir daí muitas internações se seguiram. Os exames, as consultas e as viagens à capital gaúcha se tornaram frequentes. "Já se passaram oito anos de muita batalha. E cada exame vinha com uma surpresa", lembrou.

Ana conta que, do ano de 2006 ao ano de 2010, ela passou por muitas internações e muito sofrimento. De uma menina independente que levava uma vida "normal": circuito faculdade - balada, ela passou para uma pessoa totalmente dependente. "Eu dependia da mãe para tudo. Se não fosse a fé, a positividade e a coragem dela, eu não teria tido forças para seguir lutando", garantiu ela, enquanto olhava com ternura para a mãe que escutava o relato emocionada. Em 2010, ela teve outra crise grave e a equipe médica que a atendia afirmou que não tinha mais como ajudá-la, aconselhando que elas procurassem especialistas mais específicos.

Assim, elas conseguiram a indicação de uma médica de Porto Alegre, especialista em Crohn. Depois de uma avaliação da profissional e de exames, foi descoberto que, na verdade, Ana não tinha a Doença de Crohn. "Foram quatro anos com medicações fortes que na verdade não eram para o que eu tinha. A essa altura eu já era dependente do corticoide", contou ela, sem disfarçar o pesar pela situação. Foi em 2012 que um médico reumatologista diagnosticou Ana Paula com cistite lúpica (patologia decorrente do Lúpus). "É uma doença raríssima. Minha filha é a paciente número 79 no mundo a ter essa doença", explicou Loiva. Ana lembra que, a essa altura, ela já não sabia mais o que fazer. "Eu disse aos médicos para resolverem com a mãe, porque eu não conseguia enfrentar aquela situação mais", revelou.

Depois da confirmação desse diagnóstico, ela foi internada mais uma vez. "Essa foi a internação mais drástica da minha vida", contou, ao lembrar-se do quanto foi afetada psicologicamente, particularmente, nessa vez. "Eu tomava antidepressivo, só chorava, não tinha mais esperanças. Toda força vinha dela (mãe), porque eu, por mim, tinha desistido", garantiu. No meio de tanta dor, Loiva buscava formas de atenuar o sofrimento da filha, tirando não se sabe de onde, seus "superpoderes". "Eu já não conseguia mais comer. E minha mãe odeia frutos do mar, sabe?. Daí teve um dia que ela chegou com camarões! Ela comprou camarões e levou no hospital para mim comer", acrescentou, cheia de admiração pela mãe.

Mãe em ação: a luta ainda continua

Atualmente, Ana começou a sentir com mais força os sintomas do Lúpus. Ela tem crises de pânico, sofre de depressão, não pode pegar sol e nem trabalhar, devido a sua condição física e às inúmeras viagens que precisa fazer para cuidar da saúde. Além disso, esse ano ela foi diagnosticada também com a Síndrome de Sjogren (doença autoimune que destrói as glândulas que produzem lágrimas e saliva, causando boca e olhos secos. No entanto, a doença pode afetar várias partes do corpo, inclusive os rins e os pulmões). E ela confessa: "Estou cansada de tudo isso. Não saio mais muito de casa, é bem raro. E só com a mãe e por causa dela", afirmou.
Outro sintoma que a tem acometido é a falta de memória. "É engraçado, porque a mãe diz que ela tá velha e não lembra das coisas. Daí ela me pergunta às vezes as coisas, e eu também não sei responder", explicou, com visível constrangimento. Devido a tudo isso e ao fato de não poder trabalhar, Ana relata que encontrou na promoção da Folha uma maneira de homenagear a mãe. "Eu não tenho dinheiro para comprar um presente para ela, então essa foi a única forma que eu encontrei de homenageá-la. De agradecer por tudo. Pela pessoa incrível que ela é, pela força sobre-humana que ela me dá", explicou, ao olhar com muito amor à sua super-heroína, que, com lágrimas nos olhos, retribuiu o amor com o olhar.
E Ana, segurando a mão de Loiva, continuou a abrir o coração. "Porque ela não é só minha mãe e do meu irmão, Tiago. É também da minha vó e do meu vô. Ela corre de um lado pro outro sendo motorista e enfermeira dos três, trazendo medicação, exame, amor e carinho. Eu não sei de onde ela tira forças para fazer tudo isso. Às vezes ela até pode se estressar, mas com fé e com o jeitinho que é só dela, ela vai, devagarzinho, colocando tudo no lugar certo", finalizou.
Emocionada, Loiva também quis falar e destacou que se sente muito privilegiada por ter os filhos por perto no Dia das Mães. "Sei que muitas mães não têm os filhos por perto para abraçar devido às circunstâncias da vida. Agradeço a Deus por ter os meus. Agradeço também ao meu filho, que faz tudo que pode para me ajudar. Tenho muito orgulho de ti", expôs, ao ressaltar que também deve muito à sua mãe, que, apesar dos problemas de saúde, oferece amparo e sabedoria quando ela precisa. "Enquanto ela tiver forças e for me empurrando, eu vou firme", encerrou Ana, ao abraçar a mãe.
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